Retiro de Silêncio JSF Região Sul

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O retiro de Silêncio decorreu nos dias 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março e foi no Seminário da Torre d’ Águilha que tomámos mais um passo nesta preparação da Quaresma.
No dia 27 à noite já estávamos todos reunidos. Foi o Pe. Vitor Sousa que nos acolheu e que nos viria a orientar durante todo o retiro.
Depois de cada um se ter apresentado e de termos partilhado sobre o que tinha levado cada um de nós a embarcar nesta aventura, o Pe. Vitor introduziu-nos como tudo iria funcionar: o tempo de silêncio, as horas da refeição, tentando sempre ir ao encontro daquilo que o grupo procurava e daquilo com que cada um se sentisse confortável.
Neste primeiro encontro também conversámos sobre a importância que o silêncio pode ter na aproximação de Deus, na auto – descoberta e até no estar mais atento a tudo o que se passa à nossa volta. Recebíamos assim um convite para re-descobrir o silêncio, a Deus e a nós mesmos.
No Sábado de manhã após o pequeno-almoço fizemos a oração da manhã e iniciámos um tema – Acreditar. Utilizando a sua longa experiência em Taiwan, o Pe Vitor apresentou-nos ao caracter chinês correspondente – 信- e a tudo o que podia significar. Falou-nos de Poullart des Place, da sua história como fundador dos Missionários do Espírito Santo, e da sua vocação, e de como o podemos ter como exemplo de escutar a Palavra de Deus, reconhecê-Lo e entregarmo-nos.
No final do tema, ficámos com algumas propostas de reflexão: “Como ponho em prática o escutar a Palavra de Deus no meu dia-a-dia?”, “Tenho conseguido?”, “Em que é que reconheço Deus na minha vida?”, “Quais as coisas pelas quais estou grato?”
Seguiu-se uma manhã de reflexão em silêncio, sob um sol meio envergonhado, nos jardins calmos da Aguilha.
De tarde, depois de uma boa refeição em grupo, abriu-se um novo tema. Desta vez, o Pe. Vitor falou-nos de esperar- 望 , ter esperança.
Falámos também de Pobreza, de viver como pobre. Conversámos sobre o facto de a pobreza não ser apenas algo a ultrapassar, mas também uma virtude. É essencial para viver em alegria, e anda de mãos dadas com a esperança.
Viver em pobreza é também olhar a vida como um dom e não como uma conquista. Se encaramos a vida como uma conquista, uma posse nossa, vamos querer protege-la, guardá-la para nós para que nada de mal lhe aconteça; porém, se soubermos que a vida é um dom, queremos partilhá-la e dá-la até! Pois tomando consciência disto ela logo deixa de ser nossa.
Depois disto, o Pe Vitor convidou-nos mais uma vez a refletir sobre uma série de pontos: “Qual o meu maior tesouro?”, “Como me relaciono com os pobres?”, “O que é para mim o desprendimento?”
Ao final da tarde celebrou-se a Eucaristia, presidida pelo Pe.Vitor, que sublinhou a importância de nos entregarmos por completo na Eucaristia; existe sempre o objetivo de irmos “limpos” para a Eucaristia, mas se não levarmos connosco e entregarmos as nossas experiências, as nossas feridas, Jesus não poderá sará-las. Assim, cada um tentando à sua medida entregar a Deus todas as suas vivências, celebrámos a Eucaristia ao som de cânticos que cantávamos meio envergonhados, e com um Pai Nosso rezado em chinês! O que podia ser melhor para nos sentirmos em Comunhão com outros Cristãos do outro lado do mundo?
À noite, antes do deitar, o grupo foi presenteado com uma sessão de cinema! O filme escolhido foi Ocean Heaven – a história de um pai viúvo com um filho autista que, ao saber que está gravemente doente e que não lhe resta muito tempo tenta fazer tudo para que o filho não fique sozinho, sem cuidados, pois o pai era a única pessoa na sua família. Porém, esta tarefa revela-se muito difícil.
No terceiro e último dia do nosso retiro, a manhã começou com a palavra “amar” -爱. Com mais um caracter da língua chinesa como suporte, explorámos várias questões: Quantas vezes usamos a palavra vazia, sem significado? Que lugares tomam o sacrifício e o compromisso no amor?
O amor pode aplicar-se à vocação do matrimónio, mas essa não tem de ser a única forma de tornar a nossa vida fecunda e rica. Que formas há para fazê-lo, então?
Colocámos então algumas questões a nós próprios: “Como são as relações com os que amo?”, “Qual é o meu compromisso? Como o vivo?”, O que fazer para que uma relação não perca o seu sabor? Seja essa relação com os outros ou com Deus.”
O retiro terminou com a Eucaristia depois do almoço. Depois disto, cada um rumou ao seu lugar, voltando à algazarra do dia-a-dia, ao barulho e à confusão, mas certamente com alguma paz interior, a paz e a serenidade que só Cristo pode dar quando fazemos um pouco de silêncio para o escutar e o sentir.

Inês Prata e Pedro Pires (JSF Agualva)